

A CASA-ABRIGO de EDUARDO ANAHORY na Arrábida é uma obra que marca o contexto do movimento moderno vivido em Portugal por alturas do Estado Novo. A obra de 1960 é um abrigo que o arquitecto constroi para a família nas escarpas da serra da Arrábida debruçada sobre o mar e que infelizmente foi destruída.
A casa evoca o verão e as férias. Os anos 50/60 foram os anos dourados de uma certa classe da burguesia portuguesa descobrir o dolce fare niente, construindo assim pequenos abrigos de férias e de fins-de-semana onde se pudesse disfrutar do trinómio sol, praia e mar. Localidades como Ofir, São Pedro de Moel, a Praia das Maçãs ou Moledo são testemunhos dos anos 50/60 com óptimos exemplares de arquitectura moderna. Os autores experimentavam muitas vezes nestas situações novas soluções de habitar, o conceito de living-room, os quartos com dimensões reduzidas, o exterior em contacto quase directo com o interior.
Neste abrigo o arquitecto Eduardo Anahory utiliza uma estrutura em madeira suspensa numa estrutura metálica sobre o mar. O abrigo apenas comporta 2 quartos, cozinha, instalação sanitária e uma sala que se abre ao mar e à paisagem. As aberturas são feitas através de portas deslizantes e portadas pivotantes que se transformam em palas de ensombramento abertas sobre um grande terraço. Todo o abrigo tem uma profunda ligação com as construções navais.
A reposição/reconstrução deste abrigo de férias seria uma mais valia para a história da arquitectura moderna em Portugal.
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