
O HOTEL DA BALAIA, obra do arquitecto CONCEIÇÃO E SILVA é uma obra de 1966. Obra que tão bem caracteriza os anos 60/70 e a arquitectura de qualidade que se fazia então. Conceição e Silva tinha um atelier de grande envergadura (onde trabalhava na altura o polémico arq. Tomás Taveira), que entregava os projectos chave na mão e onde nenhum pormenor era descurado. O projecto englobava sempre o design gráfico, decoração e mobiliário e arte que integrava muitas das vezes os projectos. O pintor Sá Nogueira teve com este atelier uma grande participação. O exemplo mais paradigmático de projecto global vai ser visto no complexo de Troia também deste atelier e posterior a este hotel.
O atelier já com uma obra emblemática na hotelaria, o Hotel do Mar em Sesimbra, constroi por alturas do inicio do boom turístico do Algarve este hotel e um conjunto de bungalows que mais tarde se veio juntar um conjunto de apartamentos numa falésia sobranceira ao mar na zona da Balaia, Albufeira.
O hotel implanta-se com a distância adequada da falésia permitindo uma área bastante grande para equipamentos de lazer, piscinas e jardins. A forma do hotel são como duas asas abertas para o oceano atlântico, asas estas que são alas de quartos. O grande lobby central de pé direito considerável distribui as zonas comuns e privadas do hotel. Uma zona de lazer de grandes dimensões que integra salas, restaurantes, bares e discoteca abre-se para os jardins e desmultiplica-se em terraços e varandas muito ao gosto da arquitectura de Frank Loyd Wright. Uma das alas do hotel é composta por varandas cobertas em madeira de onde podemos reinterpertar a tradicional geloseia algarvia.
A atenção ao pormenor é evidente nos interiores do hotel, no desenho do mobiliário, no trabalho do betão, dos lanternins, em pequenos apontamentos. A mestria desta obra encontra-se no conseguir fazer um hotel de grandes dimensões sem agredir a paisagem e o meio envolvente ao mesmo tempo que reinterpreta a arquitectura tradicional e consegue conciliar esta com uma arquitectura brutalista e moderna que era a corrente actual dos anos 60.
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